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Odontologia Desportiva

Odontologia Desportiva

Ao contrário do que se pensa a Odontologia Desportiva não é uma especialidade odontológica ligada à Educação Física, mas sim uma área de atuação da própria Odontologia. Ela visa oferecer cirurgiões-dentistas com visão esportiva, a fim de melhorar o rendimento dos atletas, promovendo a saúde bucal e prevenindo possíveis lesões decorrentes de atividades esportivas. Sendo assim, é direcionada aos atletas profissionais e amadores, como também a qualquer pessoa que pratica atividade física ou trabalha com esporte. Todos têm total relação com a Odontologia Desportiva.

Por ter um enfoque multidisciplinar, ela reúne uma equipe de profissionais das mais diversas especialidades odontológicas, tais como: periodontia (gengiva e estruturas de suporte dentário), endodontia (tratamento de canais), próteses e implantes (reposição de dentes perdidos), ortodontia/ortopedia (correção de dentes mal posicionados e alterações ósseas), cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial (traumatismos decorrentes da prática esportiva).
O atleta, por exigir mais do seu físico em relação às demais pessoas, necessita estar sempre atento à sua saúde, e a saúde bucal não pode ficar fora deste contexto.

Constatou-se que o rendimento de um atleta pode ser reduzido se ele tiver algum distúrbio na sua saúde bucal. Segundo a National Youth Sports Foundationm cerca de 5 milhões de dentes são perdidos por ano em atividades esportivas. Um dente infeccionado pode alterar em até 22% o rendimento de um atleta. E ainda, por outro lado, seu rendimento está intimamente relacionado com a vitória ou a derrota. Deste modo, visando uma melhoria no desempenho do atleta, faz-se necessário um exame odontológico minucioso, a fim de promover o tratamento de eventuais doenças ou mesmo atuar de forma preventiva.

É preciso planejar bem o tratamento do atleta, pois cuidados diferenciados devem ser tomados. Por exemplo: restaurações metálicas não são indicadas, por isso devemos ter cautela na prescrição de medicamentos. A restauração metálica, por ser muito dura e resistente, pode levar à fratura de dentes devido ao impacto sofrido durante a prática esportiva. Desta forma, recomendamos a restauração em resina, que no impacto é mais fácil de ser quebrada do que o dente. Já com os medicamentos, temos de ter cuidado para não interferirem no exame anti-dopping.

Alterações bucais também podem levar à redução do desempenho do atleta, tais como: má oclusão (engrenagem entre os dentes), respiração bucal, perdas dentárias, desordens na ATM (articulação têmporo-mandibular), problemas nos canais, alterações gengivais/periodontais, cárie dentária, raízes residuais, etc. Podem levar também ao aumento do risco de lesões (nas articulações dos joelhos, por exemplo) e dificuldade para recuperação de lesões, como as musculares, bem como diminuição da capacidade aeróbica, não aproveitamento do alimento ingerido (comprometimento da mastigação e conseqüente digestão), alterações na postura e na visão, dores de cabeça, zumbidos, estafa e fadiga precoce.

Desta forma, o tratamento do atleta abrange diversas especialidades odontológicas, cujo objetivo principal é promover sua saúde bucal, e claro, reabilitá-lo, o que interfere na estética e auto-estima. Mas temos uma grande preocupação: prevenir um risco a que atletas são expostos, que são os traumas desportivos, visto que são a terceira maior causa dos traumas faciais.

Buscamos prevenir as fraturas dos ossos da face e dos dentes bem como lesões de língua, lábios e bochechas. O traumatismo dental é um problema de saúde pública, pois pode levar à perda dentária imediata (no momento do acidente) ou mediata (no decorrer do tratamento ou anos após, devido à reabsorção das raízes dentárias). Mas caso o trauma desportivo ocorra, podemos intervir corrigindo o dano anatômico e o distúrbio funcional.

Quando falamos em prevenção na Odontologia Desportiva, aí pensamos nos protetores bucais para prática de esportes.
As modalidades de maior risco são os de contato, ou de impacto, como: boxe, judô, karatê, jiu-jitsu, luta greco-romana, sumô, futebol, basquetebol, voleibol, handebol, mountain bike, motocross, hockey in line, patins in line, etc. Nestes esportes, as chances do atleta sofrer contusões orofaciais durante a carreira variam de 33% a 56% . Podem ocorrer choques, cabeçadas, cotoveladas, traumatismos crânio-faciais, fraturas nasais, ferimentos corto-contusos e lacerantes, e até mesmo quedas acidentais ou agressões físicas como socos e pontapés.
Agindo preventivamente, os protetores bucais atuam de duas maneiras: protegendo os dentes de fraturas ou avulsões (arrancamentos) e prevenindo lesões nas bochechas, língua e lábios. Segundo a Academia Norte-Americana de Odontologia Desportiva, o uso de protetores bucais na prática esportiva reduz em até 80% o risco de perda dentária. Nos Estados Unidos e Europa, usar equipamentos de segurança é lei em inúmeras competições esportivas, mas no Brasil o uso de protetores bucais ainda é restrito a praticante do boxe. Um protetor bucal feito sob medida para o atleta, em um consultório odontológico, protege 60 vezes mais os dentes.

Existem três tipos de protetores bucais: os pré-fabricados (com tamanhos P, M e G), os termoplásticos (também pré-fabricados,) e os confeccionados pelo dentista. Os dois primeiros não têm boa adaptação à arcada dentária, interferem na fala, na respiração e na tensão muscular do atleta, que morde, aperta constantemente para não sair do lugar. O segundo leva o atleta a riscos de queimaduras na boca, pois é posto na pessoa após ser tirado de imersão na água quente para amolecer e melhor adaptar-se à arcada dentária, é o famoso “ferve e morde”. O terceiro tipo é definitivamente o melhor para o desempenho do atleta, pois é confeccionado após moldagem da arcada dentária, e é personalizado, pois não atrapalha na respiração e pode-se ingerir líquidos sem retira-lo da boca. Os protetores duram em média 1 ano, devem ser lavados com água corrente após o uso e armazenados em estojos próprios. Devem ser trocados nas crianças e adolescentes com certa regularidade, devido ao crescimento ósseo, ou sempre que o atleta apresentar alterações drásticas de peso.


A atuação da Odontologia Desportiva no Brasil só tende a crescer, a exemplo do que já acontece nos Estados Unidos e Europa. A tendência é que academias, clubes, federações esportivas e escolas passem a divulgar e a solicitar a necessidade de meios de proteção para a prática de esportes de uma maneira geral, quer seja dos seus associados, atletas ou alunos. Além disso, encaminhar o atleta/aluno/associado para um exame odontológico, a exemplo do que ocorre em relação à avaliação física. Enfim, prevenir sempre é o melhor caminho, alem de mais barato, é mais saudável. Portanto, temos que nos cuidar. Para os atletas o cuidado é redobrado.

A interferência da saúde bucal no desempenho

Má oclusão – uma má engrenagem dos dentes gera problemas na mastigação, prejudicando a absorção dos nutrientes, assim como pode provocar desequilíbrios musculares, dores de cabeça, problemas na articulação têmporo-mandibular, desconforto e stress. Isso pode ser um diferencial em muitas competições ou até na carreira de um atleta.

Dentes ou Gengivas Infeccionadas – isso compromete consideravelmente o desempenho físico de um atleta. Um canal aberto, por exemplo, significa 17% em média de queda no condicionamento. Doença no periodonto (gengiva e tecidos de sustentação) pode ser a porta de entrada das bactérias para outras partes do corpo, que via sangue, podem comprometer o coração (endocardite bacteriana), as articulações, dificultar na recuperação de lesões musculares e até mesmo comprometer a saúde geral do indivíduo.

Respiração bucal – pessoas que respiram basicamente pela boca, os chamados respiradores bucais, têm um rendimento físico aprox. 21% menor se comparado aos que respiram pelo nariz. Neste caso aparelhos ortodônticos podem ser indicados para aumentar o rendimento do atleta e melhorar a qualidade de vida do indivíduo como um todo.

Hábitos viciosos (roer unhas, apertar e ranger dentes) - abrasão, desgaste dos dentes e sobrecarga muscular (contraturas e espasmos) gerando um desequilíbrio em todo sistema mastigatório (estomatognático). Pode gerar dores de cabeça crônicas e fortes bem como stress profundo.

Estética - dentes saudáveis e um belo sorriso aumentam a auto-estima do indivíduo melhorando assim seu desempenho físico e mental. Hoje se sabe que o sistema imunológico tem total relação com a auto-estima e o bem estar. Pessoas “de bem com a vida e consigo mesmo” ficam menos doentes e estressadas.

Mau Hálito - o mau hálito pode ser um indício de outras doenças ou processos fisiológicos inconvenientes. Além disso, tem total relação com a vida social do indivíduo e com a auto-estima e bem estar.

Estes são alguns exemplos de como a Saúde Bucal pode interferir na Vida de um esportista. Para maiores informações, marque uma consulta com o nosso Cirurgião-Dentista e descubra como podemos lhe ajudar.

Referências: Dra. Ana Paula Falcão de Moura; e Odontoplanalto.com.br